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PESQUISA
CIENTÍFICA
XXXXXA linha de pesquisa
desenvolvida pelo Professor Sergio Tufik no Departamento
de Psicobiologia da UNIFESP no final da década de 1970
deu origem a um grupo de pesquisadores que se dedicam
a investigações do sono. Inicialmente, foram explorados
os efeitos da Privação de Sono Paradoxal (ou REM, do
inglês rapid eye movements) em animais,
o que abriu espaço para esse grupo no cenário científico
mundial.
XXXXXNo início da década
de 1990 foi fundado o Instituto do Sono, hoje envolvido
com várias atividades, englobando pesquisa, ensino em
sono (especializações, graduação e pós-graduação) e
serviços na área de diagnóstico de distúrbios de sono.
XXXXXA pesquisa
científica é a principal linha de atuação
das atividades do Instituto do Sono. São realizados
hoje trabalhos que exploram os mecanismos básicos do
sono e suas possíveis aplicações na área clínica (diagnóstico
e tratamento), bem como pesquisas clínicas procurando
investigar a regulação do sono em humanos e os mais
eficazes tipos de tratamento para os diversos distúrbios
de sono.
CEPID
XXXXXEm
2000 o Instituto do Sono passou a integrar um dos programas
de fomento à pesquisa "Centros de Pesquisa, Expansão
e Difusão" (Cepid)
da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPESP)
sob a coordenação dos Professores Sergio Tufik (Coordenador
de Pesquisa), Luis Eugênio de Araújo Moraes Mello (Coordenador
de Inovação e Tecnologia; e-mail: lemello@ecb.epm.br)
e Roberto Frussa Filho (Coordenador de Difusão; frussa.farm@epm.br).
Esse financiamento foi renovado no ano de 2005 por um
período de mais 5 anos.
XXXXXO
Cepid/Sono tem como missão primordial desenvolver pesquisa
multidisciplinar na área de sono e desenvolver mecanismos
efetivos de transferência de conhecimento para a sociedade.
XXXXX
Entre os aspectos inovadores dos Cepids salienta-se
o componente educacional. Além de desenvolver os programas
usuais de iniciação científica e de pós-graduação, cumpre
também aos centros realizar atividades de extensão na
área de educação básica, tais como iniciação científica
para alunos e professores de segundo grau, treinamento
de professores e cursos de difusão
científica. Essas atividades, além de seu valor
intrínseco, visam contribuir para o desenvolvimento
de uma cultura onde o pesquisador se sinta co-responsável
pela educação básica no país.
XXXXX
Outro aspecto importante desenvolvido pelo CEPID/ Sono
foi a contribuição e participação de seus membros junto
à câmara temática de saúde e meio ambiente (CTSMA)
do conselho nacional de trânsito (CONTRAN) que culminou
na elaboração da resolução 267 do CONTRAN, a qual altera
e inclui avaliações médicas e psicológicas para a obtenção
da carteira nacional de habilitação (CNH). Entre os
pontos importantes dessa nova resolução está a inclusão
da avaliação dos distúrbios de sono para motoristas
com carteira nacional de habilitação C, D e E. Isso
é de suma importância, pois estima-se que de 27% a 32%
dos acidentes de trânsito e de 17% a 19% dos mortos
no trânsito são provocados por sonolência/ cochilo do
condutor enquanto dirige, que pode ser originado por
privação ou algum distúrbio de sono, fadiga, excesso
de jornada de trabalho e/ou alteração do ciclo claro-
escuro.
PRINCIPAIS
PROJETOS
XXXXXPRIVAÇÃO
DE SONO
XXXXXOs efeitos da Privação
de Sono sempre nortearam a pesquisa científica no Instituto
do Sono, seja com o objetivo de desvendar as funções
do sono, mais especificamente do sono paradoxal/REM,
seja pela freqüência com que a privação ou fragmentação
do sono acompanha muitas das doenças do sono, como a
apnéia, fibromialgia e insônia.
XXXXXEPIDEMIOLOGIA
XXXXXO
Instituto do Sono já realizou três Levantamentos Epidemiológicos
(Episonos) sobre padrão e queixas de sono na cidade
de São Paulo, em 1987, 1995 (ver
artigo) e 2007.
XXXXXO último desses, Episono
de 2007, consiste no maior levantamento epidemiológico
jamais realizado, associando questionários e polissonografia.
O estudo envolveu uma amostra representativa de 1056
voluntários da cidade de São Paulo e seus objetivos
principais são:
XXXXXa. traçar o perfil
epidemiológico dos distúrbios de sono para a população
adulta da cidade de São Paulo em 2007, através da aplicação
de questionários de avaliação de padrões de sono e de
registro polissonográfico de toda a amostra;
XXXXXb. estudar, nessa
população, associações entre padrões e distúrbios de
sono com as variações sócio-demográficas, antropométricas,
clínicas, ciclo atividade/ repouso, hábitos alimentares
e de atividade física, distúrbios de humor, disfunção
sexual masculina, alcoolismo e droga-adição, marcadores
genéticos, variações bioquímicas, hematológicas, endócrinas,
imunológicas e inflamatórias;
XXXXXc. avaliar a compatibilidade
dos resultados dos inquéritos epidemiológicos do sono,
na cidade de São Paulo, realizados em 1987 e 1995, visando
traçar a tendência secular das prevalências dos distúrbios
de sono.
XXXXXA amostra randomizada,
por conglomerado, em três estágios, incluiu 1056 indivíduos
da cidade de São Paulo, de modo a proporcionalmente
representar os gêneros, os diversos extratos etários
(20 anos ou mais) e as classes sociais. Para coleta
de dados, foram realizados: 1) a aplicação de questionários
domiciliares 2) detalhamento dos padrões e distúrbios
de sono, com questionários e polissonografia noturna,
realizados no Instituto do Sono, e registros actigráficos
de, pelo menos, três noites anteriores à polissonografia;
e 3) coleta de sangue periférico para dosagens bioquímicas,
hematológicas, endócrinas e genéticas.
XXXXX
ESTUDO ERA
XXXXX
A associação entre doenças cardíacas e anormalidades
do sono é referida há muitos anos, entretanto recentemente
o interesse nessa área foi reiniciado devido à observação
de aumento na mortalidade cardiovascular em pacientes
com distúrbios respiratórios do sono. O Estudo ERA (estratificação
de risco da apnéia obstrutiva do sono) visa determinar
a apnéia do sono como fator de risco cardiovascular.
Todos os pacientes cadastrados com distúrbios
respiratorios do sono são convidados a participar
desse estudo. Realizamos um protocolo incluindo avaliação
clínica, eletrocardiograma de 12 derivações, espirometria,
teste ergoespirométrico, teste da caminhada, actigrafia,
ecocardiograma tri-dimensional, avaliação laboratorial,
avaliação do sistema nervoso autônomo. Os pacientes
recebem os resultados dos exames e as devidas orientações
após 15 dias. Um subgrupo é randomizado para tratamento
com CPAP ou SHAM CPAP desenvolvido pelo grupo. Até o
momento já foram avaliados cerca de 500 pacientes e
controles.
XXXXX
PROJETOS SONO E EXERCÍCIO (CEPE)
XXXXXEfeito do exercício
físico no tratamento da insônia
XXXXXA insônia é
um sintoma que pode ser definido como dificuldade em
iniciar e/ou manter o sono, presença de sono não reparador,
ou seja, insuficiente para manter uma boa qualidade
de alerta e bem-estar físico e mental durante o dia,
com o comprometimento conseqüente do desempenho nas
atividades diurnas. Um dos tratamentos não-farmacológicos
sugeridos para a insônia primária é a prática de exercícios
físicos. Entretanto, poucos estudos têm sido realizados,
de forma sistematizada, na tentativa de comprovar o
efeito do exercício físico no padrão de sono de pacientes
com insônia. A nossa hipótese é que a prática de exercício
físico, no final do período da tarde, possa gerar alterações
significativas no padrão de sono desses pacientes. Desta
forma, a proposta deste estudo é avaliar o efeito agudo
e crônico de diferentes tipos de exercício físico (aeróbio
contínuo, aeróbio intervalado e resistido - força) no
padrão de sono de pacientes com insônia crônica primária.
Para tanto, serão selecionados 80 pacientes com insônia
crônica primária, que serão distribuídos aleatoriamente
em quarto grupos (controle, aeróbio contínuo, aeróbio
intervalado e resistido). Os voluntários incluídos no
estudo, deverão comparecer ao laboratório do CEPE para
duas etapas, a primeira é composta por três visitas
e a segunda por 72 sessões de exercício. Na primeira
etapa, serão realizados os procedimentos referentes
à avaliação aguda, entre eles os exames polissonográficos
(inicial e final), os exames clínicos e físicos, a sessão
aguda de exercício (aeróbio contínuo, aeróbio intervalado
ou resistido). Nas 72 visitas posteriores serão realizadas
sessões de exercício físico (aeróbio contínuo, aeróbio
intervalado ou resistido), e na noite subsequente à
72º visita, será realizado um exame polissonográfico
para avaliar o efeito crônico do exercício físico.
XXXXXEfeito
do exercício físico no padrão do sono em seres humanos
sedentários, sem distúrbios de sono
XXXXXNos
últimos anos, diversos estudos vêm sendo realizados
com o intuito de verificar os efeitos do exercício físico
no sono. Porém, devido à diferenças metodológicas com
relação ao horário, duração e intensidade do exercício,
ainda não há um consenso na literatura sobre a sua real
influência no sono. Este estudo tem por objetivo avaliar
a influência de 3 tipos de exercício físico (aeróbio,
anaeróbio e musculação), em diferentes tempos de execução
(agudo e crônico), em diferentes horários do dia, no
padrão e eficiência do sono. Para tanto serão selecionados
voluntários de ambos os gêneros, com idade entre 18
e 60 anos, clinicamente saudáveis e sedentários. Esses
voluntários serão submetidos a um programa de exercício
físico semanal - 3 vezes por semana - por aproximadamente
6 meses (72 sessões de exercício físico). No decorrer
da pesquisa serão realizados exames polissonográficos,
testes ergoespirométricos e composições corporais antes,
durante e imediatamente após o período de treinamento,
além de um registro polissonográfico 1 mês após o término
desse período.
XXXXXEfeito
do exercício físico no padrão do sono em indivíduos
apnéicos sedentários
XXXXXUm
dos papéis do exercício físico no controle da SAOS ainda
não está claro. Em estudos realizados, o exercício físico
regular durante 6 meses em indivíduos com SAOS demonstrou
uma diminuição significativa na massa corporal, índice
massa corporal bem como na melhora do índice de apnéia-hipopnéia
e na percepção subjetiva de saúde com diminuição da
sonolência diária. Assim esse estudo tem por objetivo
avaliar a influência de 3 tipos de exercício físico
(aeróbio, anaeróbio e musculação), em diferentes tempos
de execução (agudo e crônico), em diferentes horários
do dia, no padrão e eficiência do sono. Para tanto serão
selecionados voluntários de ambos os gêneros, com idade
entre 18 e 60 anos, clinicamente saudáveis, sedentários
que apresentem SAOS. Esses voluntários serão submetidos
a um programa de exercício físico semanal - 3 vezes
por semana - por aproximadamente 6 meses (72 sessões
de exercício físico). No decorrer da pesquisa serão
realizados exames polissonográficos, testes ergoespirométricos
e composições corporais antes, durante e imediatamente
após o período de treinamento, além de um registro polissonográfico
1 mês após o término desse período.
XXXXXEfeito
do exercício físico no padrão do sono em indivíduos
que apresentem movimentos periódicos de pernas
XXXXXO
Movimento Periódico das Pernas (PLM) é um distúrbio
do movimento relacionado ao sono que se caracteriza
por uma extensão rítmica dos membros inferiores, seguidos
por uma dorsoflexão do tornozelo, ocasionando uma flexão
dos joelhos e uma ativação motora generalizada nos membros
inferiores. As intervenções não farmacológicas são uma
boa alternativa para a melhora da qualidade do sono.
Assim, esse estudo tem por objetivo avaliar a influência
de 3 tipos de exercício físico (aeróbio, anaeróbio e
musculação), em diferentes tempos de execução (agudo
e crônico), em diferentes horários do dia, no padrão
e eficiência do sono. Para tanto serão selecionados
voluntários de ambos os gêneros, com idade entre 18
e 60 anos, clinicamente saudáveis, sedentários e que
apresentam PLM. Esses voluntários serão submetidos a
um programa de exercício físico semanal - 3 vezes por
semana - por aproximadamente 6 meses (72 sessões de
exercício físico). No decorrer da pesquisa serão realizados
exames polissonográficos, testes ergoespirométricos
e composições corporais antes, durante e imediatamente
após o período de treinamento, além de um registro polissonográfico
1 mês após o término desse período.
XXXXXEfeito
de diferentes tipos de exercício físico no padrão e
eficiência do sono de idosos
XXXXXDurante
o processo de envelhecimento ocorrem alterações neuroquímicas,
morfológicas e funcionais como a diminuição de algumas
características do sono como mudanças na sua arquitetura
e aumento dos despertares durante a noite. O treinamento
físico possivelmente pode minimizar tais efeitos e/ou
trazer resultados positivos ao padrão do sono. Este
estudo se propõe a investigar o impacto de diferentes
tipos de exercícios físicos no padrão e eficiência do
sono de idosos nas condições antes e após um programa
de treinamento físico aeróbio e resistido (12 semanas).
A amostra será composta por 45 idosos com idade acima
de 65 anos do gênero masculino que serão distribuídos
aleatoriamente em três grupos: aeróbio, resistido e
controle. O protocolo incluirá o treinamento físico,
os questionário do nível de atividade física habitual,
de humor (IDATE, POMS, escala geriátrica de depressão),
de qualidade de vida, avaliações da composição corporal,
força, consumo de oxigênio e do sono (polissonografia,
PSQ, diário do sono, questionário de cronotipo). Todos
os voluntários serão avaliados antes, durante 8ª semana
e ao final da 12ª semana do programa de treinamento
físico.
XXXXXEfetividade
da Hidroterapia no padrão de sono em pacientes portadores
de Fibromialgia
XXXXXA
fibromialgia (FM) refere-se a uma condição dolorosa
generalizada e crônica que engloba uma série de manifestações
clínicas como dor, fadiga, indisposição, distúrbios
de sono. A freqüência da FM no Brasil é em torno de
10% da população, sendo mais freqüente no gênero feminino
correspondendo a 80% dos casos. Anormalidades do sono
são referidas por mais de 90% dos pacientes com FM.
Pacientes com FM relatam sono superficial, fragmentado
e não-reparador, seguido de despertar precoce e fadiga
matinal. Muitos estudos indicam que o sono não-reparador
está relacionado a redução do limiar de dor no período
da manhã. E da mesma forma, a presença de dor durante
o dia parece prejudicar a noite subseqüente. A hidroterapia
é muito utilizada para aliviar a dor, reduzir o espasmo
muscular, e desta forma induz o relaxamento. O meio
aquático em uma temperatura relativamente branda diminui
a sensibilidade das terminações nervosas sensitivas,
e à medida que os músculos são aquecidos o seu tônus
diminui ocorrendo o relaxamento e a diminuição da percepção
da dor. Outro fator importante consiste no efeito da
imersão sobre o sistema nervoso autônomo simpático,
o qual diminui a produção de noradrenalina, sendo esse
efeito um dos responsáveis pelo bem-estar pós-hidroterapia.
Neste sentido, pretendemos avaliar a efetividade da
hidroterapia no padrão de sono em pacientes com FM.
XXXXXUtilizaremos
uma banheira terapêutica com água aquecida a 30 e 36ºC,
na qual as pacientes serão submetidas a 15 sessões de
hidroterapia, com duração de 20 minutos durante três
semanas. As pacientes realizarão avaliação médica, exame
de polissonografia e questionários sobre sono e qualidade
de vida. O projeto é direcionado as mulheres que apresentam
FM e que não façam tratamento farmacológico.
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