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NARCOLEPSIA
XXXXA
Narcolepsia é um distúrbio de sono caracterizado por
sonolência diurna excessiva, cataplexia e anormalidades
do sono REM. Sua prevalência é em torno de 0.02-0.18%
na população em geral considerando E.U.A, Europa e Japão,
no Brasil ainda não há um estudo de prevalência da Narcolepsia.
Esta prevalência equivale a 1 caso da doença em cada
2000 pessoas e não é uma prevalência muito baixa sendo
semelhante a prevalência da esclerose múltipla ou da
fibrose cística, patologias nas quais a frequência dos
pacientes nas suas respectivas clínicas é muito maior
que a frequência de pacientes narcolépticos na clínica
de sono.
XXXXEste
fato se deve a narcolepsia ser uma patologia de difícil
diagnóstico. Três dos quatro principais sintomas da
narcolepsia podem existir em outros distúrbios de sono
ou mesmo em situações comuns na vida em geral. A cataplexia
e o único sintoma específico para a narcolepsia, mas
em grande parte dos casos só aparece como sintoma após
o aparecimento da sonolência excessiva diurna. Na ausência
de cataplexia o diagnóstico se torna muito mais difícil,
um questionário específico para a determinação da cataplexia
já foi validado e é de uso corrente na clínica de sono
da Universidade de Stanford, EUA. Outro problema é que
muitas vezes a cataplexia é confundida com desmaios
e a narcolepsia é interpretada como epilepsia pelo neurologista
menos atento.
XXXXFatores
genéticos estão envolvidos com o aparecimento da narcolepsia.
Este distúrbio é muito associado a um alelo do complexo
maior de histocompatibilidade denominado DQ*0602, o
qual pode ser utilizado também como uma ferramenta de
diagnóstico, embora a presença desse alelo não seja
conclusiva, mas simplesmente um instrumento de apoio
ao diagnóstico.
XXXXA
transmissão genética da narcolepsia em humanos não obedece
as regras mendelianas, trata-se de uma herança complexa,
multifatorial na qual fatores ambientais t6em papel
importante. Embora a maioria dos caos seja esporádica
e não familiar, o risco de um parente de 1° grau de
um paciente narcoléptico ter o mesmo distúrbio é 40
vezes maior que na população em geral.
XXXXA
narcolepsia também acontece em cães com uma sintomatologia
muito parecida com a do Homem. Estudos farmacológicos,
fisiológicos e genéticos nesta espécie têm ajudado a
desvendar os mecanismos cerebrais envolvidos na gênese
da narcolepsia. O gene para narcolepsia foi primeiramente
encontrado em cães e depois sequenciado em narcolépticos
humanos. Se constatou que a mutação que acontece nos
cães e causa a narcolepsia não ocorre em humanos, com
raras exceções. A narcolepsia humana é causada pela
falta da proteína hipocretina no cérebro.
XXXXExperimentos
usando o modelo canino mostram que um aumento na neurotransmissão
colinérgica e diminuição na noradrenérgica são possivelmente
as bases fisiopatológicas da doença em adição a uma
deficiência nos sistema da hipocretina. Os medicamentos
usados para tratar a narcolepsia; estimulantes do sistema
nervoso central e antidepressivos tricíclicos agem diretamente
ou indiretamente através destes sistemas de neurotransmissão.
Os efeitos na inibição da recaptação da noradrenalina
na fenda sináptica inibem de forma leve a cataplexia
e os fenômenos anormais associados ao sono REM na narcolepsia,
enquanto os estimulantes em geral agem diminuindo a
sonolência através do sistema dopaminérgico. É bom ressaltar
que estes tratamentos são somente parcialmente efetivos
e que provavelmente a descoberta da hipocretina como
um agente preponderante no estabelecimento da narcolepsia
levará a criação ou a descoberta de uma droga mais efetiva
no tratamento nos próximos anos.
XXXXA
narcolepsia é uma doença de certa forma benigna, porém
o tratamento é prolongado. O objetivo do tratamento
é o controle dos sintomas, principalmente das crises
de sono e da cataplexia (perda do tônus muscular), com
a administração de medicamentos, permitindo assim que
o paciente mantenha suas atividades normais nos campos
profissionais e sociais.
XXXXComo
medidas paralelas ao tratamento, recomenda-se alguns
cochilos voluntários durante o dia para reduzir a sonolência
diurna.
XXXXDurante
o tratamento, é de bom tom não exercer atividades de
risco tais como dirigir ou manipular equipamentos que
exijam atenção contínua.
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